Instituto Pensar - Equador: 2º turno poderá ser disputado entre dois candidatos de esquerda

Equador: 2º turno poderá ser disputado entre dois candidatos de esquerda

por: Nathalia Bignon 


Segundo turno eleitoral no Equador poderá ser enfrentado por Arauz e Pérez

O Equador deve enfrentar o segundo turno das eleições presidenciais em abril, depois de um jovem candidato de esquerda vencer o primeiro turno do pleito, realizado no último domingo (7). Após anos de medidas de austeridade, tornadas mais dolorosas pela pandemia, o país indicou o socialista Andrés Arauz, de 36 anos, aliado do ex-presidente Rafael Correa como um dos favoritos na disputa.

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No segundo turno, que deverá ser realizado em 11 de abril, ainda não se sabe se Arauz enfrentará o ativista indígena Yaku Pérez ou o banqueiro conservador Guillermo Lasso. De todo modo, a eleição equatoriana dá uma clara sinalização do avanço liderado pela esquerda na disputa. Enquanto isso, crescem as apostas de que o país sul-americano se unirá à Argentina e à Bolívia no time das nações que rechaçaram o neoliberalismo e a extrema direita no comando de seus governos.

Liderança indígena

Chama atenção o surpreendente desempenho de Yaku Pérez ? símbolo da identidade indígena nos Andes, em um país em que menos de 10% da população se identifica como indígena ?, líder de uma plataforma com bandeiras como a proibição da mineração industrial, em uma eleição que até agora se definia por um duelo de ideologias de bem-estar social e livre mercado.

De acordo com uma pesquisa de boca de urna conduzida pelo Conselho Nacional Eleitoral, Arauz obteve 31,5% dos votos, Pérez 20,04% e Lasso 19,97%. A contagem foi baseada em cerca de 2.400 declarações eleitorais de uma amostra representativa de centros de votação. Mais atrás, na quarta posição, o também esquerdista Xavier Hervás, que arrebatou boa parte dos votos dos jovens, chegando a acumular 16% dos votos.

Pouco depois do anúncio dos resultados, Pérez disse a repórteres que havia conquistado votos suficientes para entrar no segundo turno e disse que estava fazendo uma vigília fora da sede do conselho eleitoral em Quito para evitar a manipulação de votos.

"Viemos com o plano de fazer uma vigília, de maneira ativa e respeitosa, mas para defender a vontade da grande maioria dos equatorianos que veem esperança de mudança?, disse Pérez.

Lasso liderou um comício de comemoração na maior cidade do país, Guayaquil, onde os apoiadores gritaram "Segundo turno? e "Presidente Lasso?.

"Quando virmos 100% das declarações da pesquisa revisadas, será reconfirmado que estamos no segundo turno?, disse Lasso.

Equador: pandemia e recessão

O atual presidente, Lenín Moreno, conduziu uma agenda pró-mercado na esperança de reviver uma economia lenta e altamente endividada. Seus esforços geraram uma reação furiosa, com um aumento do preço do combustível levando a violentos protestos de rua em 2019.

Inicialmente aliado de Correa, Moreno se voltou contra seu antecessor, que governou o Equador por uma década e cuja condenação criminal o impediu de disputar a vice-presidência este ano.

Para evitar o segundo turno de 11 de abril, Arauz precisava de mais de 50% dos votos válidos, ou 40% do total, com 10 pontos percentuais a mais que o segundo colocado.

Um surto brutal do coronavírus no ano passado deixou corpos expostos nas ruas de Guayaquil.

Os bloqueios em todo o mundo reduziram a demanda de combustível e os preços do petróleo, principal produto de exportação do Equador, abalando uma economia que também sofria com cortes drásticos nos gastos do governo.

Com informações do The Guardian



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